|
A raiz do CDHEP está no final dos anos 70, anos da ditadura militar, quando as Comunidades Eclesiais de Base floresciam na Arquidiocese de São Paulo. As violações dos Direitos Humanos, sobretudo por parte da ordem estabelecida, contra os grupos de oposição que ressurgiam na sociedade civil, eram flagrantes. Como em outras partes do país, na Região Episcopal de Itapecerica da Serra também surgiu uma Comissão Pastoral dos Direitos Humanos. Com a mudança das conjunturas política e eclesial, a Comissão Pastoral virou uma ONG. Ampliou e diversificou suas atividades, sendo a questão da violência uma de suas atividades principais.
No início da década de 1990, preocupado com a disseminação da violência na Região, o CDHEP realizou uma pesquisa sobre homicídios, contando com a colaboração de pesquisadoras da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Os dados foram obtidos através de depoimentos voluntários e sigilosos de testemunhas oculares de violências, principalmente homicídios, em diferentes localidades da região. As lideranças locais chegaram a registrar 217 casos de homicídios. Estes relatos confirmaram de maneira pungente os sentimentos de medo, insegurança, impotência da população em geral e sua descrença na ação eficaz da polícia e da justiça.
Desde sua fundação, o CDHEP articula com a população local e com as lideranças dos movimentos sociais, eclesiais e populares, a realização de oficinas, debates e seminários relacionados ao tema da violência. A partir da segunda metade dos anos 90, o CDHEP trabalhava basicamente com dois programas: A Escola de Liderança e a Defesa da Vida.
Inaugurada no ano de 1997, a Escola de Lideranças - EL foi um passo no serviço aos Movimentos Populares e outros grupos organizados. Os cursos variavam conforme as necessidades. No intuito de aproximar o direito e a justiça aos moradores da região, já foram realizados 14 cursos para formar Orientadores Jurídico-Populares que contam com a colaboração de Promotores, Juízes e Advogados.
A EL ofereceu até o ano de 2005 oficinas de Planejamento Estratégico Participativo, Comunicação Oral e de Administração Gerencial e Contábil.
No final de 2005 a EL foi repensada com base num amplo processo de participação das lideranças locais e passou a oferecer, a partir de 2006, quatro programas de formação: 1- Desenvolvimento de lideranças; 2 Formação e articulação da temática criança e adolescente; 3 Seminários e debates conjunturais e pontuais; 4 Cine-cdhep: provocando o debate ou a aquisição cultural.
Contribuir para uma cultura de inclusão das diferenças, de auto-afirmação dos afro-brasileiros, majoritariamente presentes em nossas periferias e nas nossas programações é uma preocupação do CDHEP.
O programa Defesa da Vida vem trabalhando em várias frentes. Em 2000 foi estabelecido um convênio com a Secretaria de Justiça do estado de São Paulo para executar o programa de proteção às vítimas e testemunhas.
O Projeto Planejar para integrar Escola e Comunidade foi realizado em escolas municipais em diversos pontos da região. É uma proposta para contribuir na Participação da Comunidade na Escola. Trata-se da realização de um planejamento participativo tendo como atores o corpo escolar, alunas e alunos e a comunidade. Tendo em vista a disseminação de diversas formas de violência em nossas comunidades, elabora caminhos para solucionar alguns problemas pequenos e locais, através da interação comunidade escola.
O projeto Eu também sou cidadão visa um público de adolescentes e jovens. Através de oficinas lúdicas em equipamentos sócio-educacionais da região, incentiva e fortalece atitudes e ações em defesa da vida.
O Fórum em Defesa da Vida é uma rede de entidades, aberta a todos que queiram participar da superação da violência: entidades, igrejas, escolas e pessoas físicas. Constitui-se após a 1ª Caminhada pela Vida e pela Paz, organizado em 2 de novembro de 1996, Dia de Finado, pelas comunidades eclesiais de base (CEBs), os Movimentos Sociais e o CDHEP. O intuito era ampliar o sentido da manifestação religiosa popular, própria daquele dia, chamar atenção para a questão da violência e denunciar o descaso dos órgãos públicos em relação à região, quando considerados os indicadores sociais.
Aos poucos, o Fórum estabeleceu prioridade: Segurança Pública, luta pelo acesso à Justiça e educação para a cidadania. Ao longo dos anos, tem feito gestões junto aos poderes públicos no sentido de apoiar, sugerir, cobrar políticas públicas que favoreçam a superação da violência e a diminuição da imensa exclusão social da nossa região.
No ano de 2000 o CDHEP junto com o escritório de advocacia da Universidade Católica de São Paulo PUC/SP, moveu, no ano de 2000, uma AÇÃO CIVIL PÚBLICA responsabilizando o Município de São Paulo pela falta de programas sócio-educacionais que atendessem os jovens e adolescentes do distrito do Capão Redondo. No dia 8 de abril de 2005, a ação foi julgada procedente e condenou o município a implementar um programa que atenda estes jovens e adolescentes. |