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Maio é resistência: Nossos Mortos Têm Voz!


Vencem 9 anos desde a dor que inundou aquela semana em que mais de 500 pessoas, em regra jovens e pretas, foram cruelmente executadas por agentes do Estado e grupos de extermínio. Mortes anunciadas e avalizadas pelo Governo paulista após achaque ocorrido dentro do sistema prisional e revide com ataques a policiais. Por conta da corrupção e violência policiais e dos inúmeros malfeitos do Poder Público na gestão racista da pobreza, as alegrias e belezas de centenas de vidas fizeram sangue nas ruas de São Paulo e mergulharam nas profundezas desse mar de massacres que atravessa a história do povo explorado e oprimido nessas terras.

Vence o tempo, mas a memória e a resistência se multiplicam. Desde então, a marcha fúnebre prosseguiu na derrubada da juventude preta: Complexo do Alemão e Tortura de Bauru (2007); Morro da Providência (2008); Canabrava (2009); Vitória da Conquista e Crimes de Abril na Baixada Santista (2010); Praia Grande (2011); Operação Dor e Sofrimento, Massacre do Pinheirinho, de Saramandaia, da Aldeia Teles Pires, Crimes de junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro (2012), Chacina do Jardim Rosana, Chacina da Mauro, Repressão à Revolta da Catraca, Vila Funerária, Chacina da Maré, Itacaré, Amarildo (‘Onde Está Amarildo?’), Douglas (‘Por que o Senhor Atirou em Mim?’), MC Daleste, Chacina de Itapevi (2013), Massacre de Pedrinhas, Chacina de Campinas, Chacina Jd. Elisa Maria, Chacina de Sapopemba, Chacina do Morro do Juramento, Cláudia, DG, Chacina do Pq. Belém, Chacina de Sorocaba, Chacina do Morro da Quitanda, Chacina da Favela Novo México, Luana, Chacina de Mogi das Cruzes, Chacina da favela Santa Cruz, Massacres de Carapicuíba, Crimes da Móoca, Operação PrevPaz, Chacina do Rio Pequeno, Massacre aos Trabalhadores Ambulantes da Lapa, Chacina da Cidade Tiradentes, Chacina da Rua Euzébio de Queiroz, Chacina de Duque de Caxias, Chacinas de Belém, QuemMatouBrunoRocha?, Cadê Davi Fiúza?, Chacina de Mogi das Cruzes, Execução do Jd. Ibirapuera (Thiago Vieira da Silva), Caso Ruzivel Alencar (2014), Chacina de Betim, Execução do Pequeno Patrick, Chacina do Limoeiro, Chacina do Cabula, Ditadura Militar na Maré, Chacinas do Jd. São Luís, Execução do Pequeno Eduardo, Chacina de Parelheiro, Chacina da Pavilhão 9, Chacina de Mogi das Cruzes (2015)…

A ordem opressora e exploratória, garantida por estruturas penais-militares cada vez mais aparelhadas e letais, segue de combustível à continuidade cada vez mais veloz e atroz da Marcha Fúnebre.


O combustível que alimenta o genocídio, no entanto, alimenta também a resistência e a luta crescente pelo fim dos massacres. Do luto dos Crimes de Maio nasceram as Mães de Maio, que seguem cada vez mais fortes na luta por memória, verdade, justiça, reparação e, sobretudo, pelo fim do genocídio e pela construção de uma sociedade livre de opressões, explorações e massacres.

Nessa longa caminhada, passos importantes foram dados: nesse ano, o Brasil foi denunciado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelos Crimes de Maio[1] e foi criada a Comissão da Verdade da Democracia ‘Mães de Maio’, com o objetivo de investigar os crimes cometidos por agentes do Estado durante a vigência do Estado Democrático de Direito inaugurado pela Constituição da República de 1988.

Junto à tenaz recomposição da memória daquelas e daqueles cujas vidas foram ceifadas pela ação estatal, e contra as vozes obscurantistas que, com cada vez menos pudor, levantam-se para defender o fascismo expresso em pautas como a redução da maioridade penal, cresce também o consenso entre movimentos e organizações sociais por uma desmilitarização que transcenda o fim da Polícia Militar para implicar amplo desmonte dos aparatos repressivos do Estado, com política de redução maciça da população carcerária, adulta e juvenil, e contração máxima do sistema penal[2].

Nesse mês de maio – e diante da atual conjuntura – a tarefa que parece desafiar os movimentos de resistência à barbárie implica a continuidade do enfrentamento ao fascismo crescente sem cair nas ilusões e mesquinharias das disputas institucionais.

Que, apesar de tanto sangue, a música da vida continue a embalar as lutas populares; que os ventos soprem sobre aquelas e aqueles que não se dobram diante da barbárie. Um salve às Mães de Maio! Um salve a todas e todos que persistem na luta por uma vida sem grades e sem massacres!

*Notas:

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