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Patricia Lima é professora e usa as práticas restaurativas para mediar conflito em sala de aula


Patricia Ferreira de Lima é formada em Pedagogia e pós-graduada em Docência no Ensino Superior. Leciona há cinco anos, já trabalhou com Educação Infantil em Centros de Educação Infantil e Escolas Municipais de Educação Infantil. Há alguns anos leciona para um 1° ano do ensino fundamental em uma escola municipal de São Paulo.

CDHEP: Qual foi o impacto da formação em Justiça Restaurativa para você?

Patricia: A formação foi além do que eu esperava. Não agregou somente em minha vida profissional, mas em minha vida pessoal. Aliás, o início da formação procurou trabalhar com o “EU”. Fizemos exercícios que mexeram com nossos sentimentos, nossas emoções como a raiva e o amor. Analisando esses sentimentos conseguimos pensar mais a respeito da empatia. Acabei me olhando de um jeito diferente. Peguei-me pensando várias vezes no que eu poderia causar ao outro sem perceber e, nesse ponto, notei que todo esse processo era necessário para entendermos como trabalhar com nossos alunos:  o que realmente estávamos fazendo por eles; de que maneira estávamos agindo; o como podemos ser agressivos podíamos ser não só com palavras, mas também com as expressões faciais, os olhares etc. Tudo isso me ajudou e ainda ajuda em minha vida como professora, como amiga, esposa, filha. Diria que é uma formação completa.

CDHEP: O que mudou na escola e no seu trabalho depois da formação?

Patricia: Quando comecei a formação estava trabalhando com um 4° ano muito complicado. Eram alunos agressivos uns com os outros e até mesmo com os funcionários da escola. O primeiro círculo que fizemos, com ajuda do CDHEP, foi para falar sobre a raiva, algo muito presente nessa turma, e foi bem conturbado porque eles não tinham paciência de ouvir uns aos outros, queriam falar, notamos que essa pressa em dizer algo podia vir da necessidade de serem ouvidos. Então, passei a ouvi-los mais, tínhamos momentos para rodas de conversa sobre qualquer assunto, e eles mesmos aprendendo a se colocar no lugar do outro. Fizemos acordos, decidimos tudo em conjunto. A sala mudou muito e pra melhor. Não posso dizer que tudo ficou lindo e que brigas não aconteciam, porém, mudei meu método: de ação e punição para ação e diálogo, ação e acordo, ação e reflexão.

CDHEP: A partir da sua experiência profissional, quais as possibilidades que visualiza para a Justiça Restaurativa em uma perspectiva futura?

Patricia: Vejo a Justiça Restaurativa crescendo dentro da escola. Estamos trabalhando apenas com algumas salas, mas se todos os profissionais da educação começarem a se empenhar poderemos mudar nosso olhar, o do aluno e, consequentemente, da comunidade. Todos poderão ser atores restaurativos. Acredito que a escola deixaria de ser palco de tanta violência. Sempre vemos na mídia alunos brigando, agredindo professores, até  mesmo matando outros colegas. Isso é muito triste, pois o que deveria ser um lugar de ensinar e aprender, de trocar experiências, acabou se tornando um local de intolerância. Vejo que, os exercícios e diálogos abordados pela Justiça Restaurativa mudaria essas atitudes. Ainda encontro meus alunos nos corredores e um deles me lembrou de nossos círculos, nossas conversas, disse que sentia falta disso. Esse aluno era um dos mais agressivos, então acredito muito que as práticas restaurativas podem nos tornar pessoas melhores.

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