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Há mais de 40 anos em defesa dos Direitos Humanos

Nossa História

O CDHEP – Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo originou-se da Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Região Episcopal de Itapecerica da Serra, da Arquidiocese de São Paulo, constituída no dia 27 de abril 1981. A sua origem, porém, remonta a segunda metade da década de 1970, quando a Arquidiocese de São Paulo começou a enfrentar e organizar a defesa dos Direitos Humanos violados sistematicamente pela Ditadura Militar.


A Igreja, a partir das Comunidades Eclesiais de Base, passou a se constituir em lugar de resistência e organização para a luta contra as diversas violações de Direitos Humanos, principalmente por parte da ditadura militar. Até 1989 funcionou como Comissão Pastoral de Direitos Humanos.


Pela necessidade de se constituir juridicamente para responder aos grandes desafios colocados para a defesa e luta pelos direitos na periferia da cidade de São Paulo, na nova conjuntura de redemocratização do país, em abril de 1989 a Comissão Pastoral de Direitos Humanos transformou-se em uma Organização Não Governamental – ONG – e passou a chamar-se Centro de Defesa de Direitos Humanos de Campo Limpo – CDDH/CL.


No dia 06 de abril de 1993 procedeu-se nova alteração no seu nome, passando a denominar-se Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo – CDHEP/CL. Incorporou assim, no seu nome, duas dimensões importantes já presentes na prática do CDHEP junto às lideranças, comunidades e movimentos populares: a luta por Direitos e a Educação Popular.


Se no início a atuação do CDHEP foi marcada pela necessidade de defesa dos Direitos Humanos violados pela ditadura militar, a partir da segunda metade da década de 1980 o desafio passou, progressivamente, a ser a luta para conquistar novos Direitos Humanos. Por outro lado, a atuação da instituição junto aos movimentos sociais e comunidades, apoiando a sua organização e fortalecendo a sua luta, sempre foi realizada a partir da Educação Popular, inspirada em Paulo Freire, fortalecendo a autonomia e o protagonismo dos movimentos e comunidades.


Atento à realidade brasileira e aos desafios locais e nacionais, o CDHEP buscou ao longo das mais de quatro décadas, atualizar a sua missão e a sua presença no território da periferia da região sul da cidade de São Paulo, no Estado de São Paulo e em ações de caráter nacional e Latino-americano. Ao longo destes anos a atuação deu-se a partir de três eixos principais: Direitos Humanos e acesso à justiça, Educação Popular e Justiça Restaurativa.


Dentre as questões trabalhadas pelo CDHEP destacam-se o enfrentamento da violência e do acesso à justiça; a demanda por orientação e assessoria jurídica pelas moradoras, sobretudo mulheres, e comunidades frente à violação dos direitos; o fortalecimento da organização e articulação dos movimentos populares na região; a luta pela responsabilização frente as graves violações aos Direitos Humanos, principalmente por parte de agentes públicos; a formação de lideranças, movimentos sociais e gestores públicos tendo como referência os princípios da Educação Popular; o fortalecimento para o controle social e a participação para garantia de direitos, a implementação da Justiça Restaurativa no Brasil e, mais recentemente, práticas de Educação Popular em Saúde e Ecologia.  
 
Décadas de 1980 e 1990 
Em decorrência do Estado autoritário e violento gestado na ditadura civil-militar, e por outro lado, por causa da cultura de violência e discriminação racial, de gênero e orientação sexual, muitas violações e violências aconteciam no cotidiano das periferias nessas décadas. Essa situação gerou grande demanda das comunidades, por isso, a então Comissão Pastoral de Direitos Humanos - hoje CDHEP - proporcionou o atendimento jurídico em sua primeira sede na Paróquia de São Judas Tadeu no Campo Limpo, para orientar as pessoas, comunidades e organizações no acesso e defesa dos direitos. 


Além disso, 1980 foi um período de muitos conflitos fundiários, resultantes da disputa pela ocupação do solo urbano na periferia da cidade, em grande expansão. A ação da especulação imobiliária, aliada ao autoritarismo da gestão pública e a falta de sensibilidade do poder judiciário, gerou muitas situações de despejos, principalmente em favelas. 
Atuamos no acompanhamento de ocupações para moradia popular, tanto de movimentos de moradia já organizados, como também de ocupações espontâneas, desencadeadas pela necessidade por moradia das famílias mais pobres. A organização de novos movimentos por moradia nestas ocupações e capacitação de suas lideranças, para a luta pelo direito à moradia, se constituía em tarefa importante. 


Ainda na segunda metade de 1980, a Comissão de Direitos Humanos participou intensamente, no âmbito da luta pela democratização do país, da proposição e defesa de novos direitos, com a constituição do Plenarinho Pró-Constituinte nesta região. Desta luta resultou a incorporação de novos direitos de cidadania na Constituição Federal instaurada em 1988. 


A década de 1990 também foi marcada pelo aprofundamento da atuação do CDHEP no enfrentamento à violência que atingia a população mais pobre, principalmente os jovens, da região sul de São Paulo e na atuação para o fortalecimento da luta dos movimentos populares, especialmente dos movimentos de luta por moradia, que cresceram muito naquele período. 


Para compreender melhor o fenômeno da violência na região e para pensar o seu enfrentamento, no início de 1990, o CDHEP realizou uma pesquisa sobre homicídios, em parceria com pesquisadoras da Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Os dados foram obtidos por meio de depoimentos voluntários e sigilosos de testemunhas de violências, principalmente homicídios, em diferentes localidades da região. Estes relatos confirmaram de maneira pungente os sentimentos de medo, insegurança, impotência da população em geral e sua descrença na polícia e na justiça. 


A multiplicidade, o crescimento e a abrangência de atuação do CDHEP demandaram um espaço próprio para dar suporte ao trabalho desenvolvido. Para isso foi viabilizado, em agosto de 1992, a compra da sede do CDHEP no Capão Redondo. Para a aquisição foi fundamental a contribuição de parceiros comprometidos com a luta dos Direitos Humanos, especialmente instituições e comunidades da Igreja Católica e Congregações Religiosas. 


Nesta mesma década, uma das saídas mais importantes encontradas pelas instituições da região para o enfrentamento da violência, tendo a frente a Sociedade Santos Mártires do Jardim Ângela e o CDHEP, foi a construção do Fórum em Defesa da Vida, em 1995, articulando organizações, movimentos populares e comunidades da região. Esta iniciativa se tornou, nos anos seguintes, uma ferramenta fundamental para minimizar os assassinatos na região. 
O Fórum em Defesa da Vida, continua sendo um instrumento importante de articulação regional para o enfrentamento da violência no território. Uma das principais atividades do Fórum é a Caminhada pela Vida e pela Paz, realizada no dia de Finados desde 1996, mobilizando comunidades de Igreja, Movimentos Sociais e instituições da região. Há 29 anos, a Caminhada é feita até o Cemitério São Luiz, onde são enterradas muitas vítimas da violência e dos assassinatos, na sua maioria jovens negros, muito deles cometidos pelas forças policiais. Seu objetivo central é denunciar os assassinatos da juventude na região e anunciar que outra periferia é possível. Também em 1995 aconteceu o 1º Seminário de Educação do Fórum em Defesa da Vida.  


Para fortalecer as lideranças, movimentos e comunidades na sua luta, o CDHEP inaugurou, em 1997, a Escola de Lideranças da Zona Sul da cidade de São Paulo. As temáticas das atividades formativas eram variadas e eleitas a partir das necessidades e demandas dos movimentos e comunidades. 


Uma das atividades de formação oferecida por longos anos, foi o curso de Formação de Orientadores Jurídico Populares. Criado em 1993, o curso tinha por objetivo empoderar as lideranças para a defesa dos direitos e da justiça. Ao longo dos anos foram realizados 14 cursos, organizados pelo CDHEP e com apoio fundamental de advogados, promotores públicos e juízes. Centenas de lideranças foram formadas ao longo destes anos. 


Na perspectiva da afirmação dos Direitos Humanos, a partir de 1999 o CDHEP passou a contribuir com a construção da Política de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA), no Estado de São Paulo e em nível nacional. Esta política foi demanda pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos, ao qual o CDHEP segue sendo filiado.


Neste período o CDHEP continuou trabalhando com a pauta dos Direitos Humanos, especialmente na luta contra a violência e na garantia dos direitos de cidadania violados sistematicamente pelo poder público, com a Educação Popular, consolidando e atualizando a Escola de Lideranças, e, com a temática da Justiça Restaurativa. 
 
Século XXI 
Na área da formação, a Escola de Lideranças reformulou as suas atividades. Entre 2000 e 2005 passou a incorporar oficinas de caráter instrumental para ajudar as lideranças a desenvolver habilidades necessárias para qualificar a sua atuação nos movimentos e comunidades. Foram oferecidas oficinas de Planejamento Estratégico Participativo, Comunicação Oral e de Administração Gerencial e Contábil. 


Em 2000 o CDHEP promoveu um Rola Papo na zona sul contribuindo com a criação da Marcha Mundial das Mulheres. A partir de 2005 a Escola de Lideranças foi repensada com a participação das lideranças locais e passou a oferecer quatro programas de formação: 1) Desenvolvimento de lideranças; 2) Formação e articulação da temática da criança e adolescente; 3) Seminários e debates conjunturais; 4) Cine-CDHEP, incorporando a diversidade cultural, de gênero e raça. 


Dentre os projetos ligados à escola de liderança, citamos Planejar para integrar Escola e Comunidade, realizado em escolas municipais da região entre 2002 e 2004. Através do planejamento participativo com a comunidade escolar – corpo escolar, alunos(as) e comunidade –, buscou construir alternativas visando superar inúmeras violências e violações que afetam cotidianamente as comunidades pobres da periferia. Em 2000 organizou a primeira turma do curso Planejamento Estratégico Participativo.  


Na segunda metade desta década o CDHEP incorporou um novo eixo de atuação: a Justiça Restaurativa. Além de oferecer cursos em diversas partes do Brasil para formar multiplicadores em Fundamentos e práticas da Justiça Restaurativa, segundo as metodologias da Escola de Perdão e Reconciliação – ESPERE, da Fundación para La Reconciliacíon, Colômbia e em Práticas Restaurativas, pautadas no Instituto Internacional de Práticas Restaurativas –, o CDHEP começou a desenvolver projetos com a metodologia da Justiça Restaurativa, principalmente com adolescentes e jovens. O objetivo era contribuir com a interrupção do ciclo de reprodução da violência, buscando construir processos que contribuíssem para restaurar relações e danos, capacitando pessoas para transformar conflitos, prevenir e superar a violência. 


Desde 2017, o CDHEP tem participado da implementação de práticas de Justiça Restaurativa em casos de competência de varas criminais comuns: inicialmente, graças a um termo de cooperação com o TJDFT, o CDHEP passou a contribuir com a concretização de casos na comarca de Planaltina/DF (em 2019, por meio desta articulação, o CDHEP teve a possibilidade de enviar dois de seus facilitadores para estarem como ouvintes em uma série de palestras do professor norte-americano Mark Umbreit, referência internacional em JR, em Brasília, dentro de uma iniciativa  da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, em parceria com Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento-PNUD e com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios-TJDFT).


Em 2018 construímos uma experiência inédita de introdução das práticas de Justiça Restaurativa no Programa de Proteção à Vitimas e Testemunhas do Estado de São Paulo. Essa ação contou com a formação da esquipe técnica, bem como com o atendimento restaurativo diretamente para famílias atendidas pelo Programa.


Em 2019 iniciava-se o projeto “Restaurando o Justo: Justiça Restaurativa no Sistema de Justiça Criminal” com o financiamento do Instituto Betty e Jacob Lafer. Após uma articulação com o Núcleo Gestor de Justiça Restaurativa da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJ/SP. Os trabalhos se iniciaram a partir de janeiro de 2019 com casos de competência da 2a Vara Criminal desse município. Este projeto estendeu-se até 2025 e a sua sistematização está na publicação Justiça Restaurativa e Sistema Criminal Construindo Alternativas ao Estado Penal Brasileiro lançada em agosto deste mesmo ano.


Também no Sistema de Justiça Juvenil o CDHEP vem buscando formas de trabalhar a Justiça Restaurativa na abordagem de atos infracionais -  executamos diversos projetos nesse âmbito, como “Novas Metodologias de Justiça Restaurativa com Adolescentes e Jovens em conflito com a lei” (consistente no desenvolvimento e sistematização da aplicação de novas metodologias de práticas restaurativas em casos com adolescentes e jovens em conflito com a lei, em 2011); na abordagem de casos encaminhados para o CDHEP pela Defensoria Pública em 2014 em um plano piloto do Setor de Conciliação desta instituição; e, em 2018, no projeto "Restaurando a Justiça integrando Comunidade, Jovens em conflito com a Lei, Sistema de Justiça Criminal e Penal", em que trabalhou-se a abordagem de casos de atos infracionais por meio de práticas da Justiça Restaurativa em uma Vara da Infância do TJ/SP.


Este último projeto possuía duas linhas de atuação: abordagem dos casos em uma Vara da Infância e Juventude e outro que, inserido no território, ofereceu formação em Justiça Restaurativa para técnicos de Serviços de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto (SMSE) e, ao mesmo tempo, investigou e tentou elaborar um paradigma restaurativo para a construção do PIA (Plano Individual de Atendimento) para o cumprimento da medida que gerasse pertencimento e significado para os adolescentes, suas famílias, comunidade.


Também julgamos pertinente citar o projeto “Tecendo Redes de Cuidado: Fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente e Práticas de Justiça Restaurativa” (2012), o qual, para trabalhar casos de cumprimento de medida socioeducativa, realizava uma articulação entre atores da rede de garantia de direitos, além da “Formação e Prática de Justiça Restaurativa em São Paulo nos municípios de Embu das Artes e Fortaleza” (2012).  
O CDHEP também gestou um Núcleo Comunitário de Práticas Restaurativas, atualmente denominado Núcleo Comunitário de Justiça Restaurativa e Educação Popular. O núcleo oferece práticas de justiça restaurativa e de educação popular para a periferia Sul da cidade de São Paulo. Trabalhamos com 108 casos entre 2010-2018, sendo os principais temas/ conflitos: jovens em conflito com a lei – MSE; violência urbana; gênero; conflitos familiares; bullying; relações interpessoais (adolescentes, adultos, equipes); conflitos institucionais e escolares; racismo; violência doméstica e briga entre vizinhos. 


A abordagem dos marcadores sociais (gênero, raça e classe, com forte enfoque no território)  é também uma constante na trajetória do CDHEP na Justiça Restaurativa, como é possível verificar pela realização de projetos como o “Redução da violência de gênero e da cultura punitiva no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente na região do Jardim Ângela, São Paulo: as práticas de justiça restaurativa e a formação em gênero e sexualidade como aportes teórico-metodológicos” (2014-2015) ou ainda no projeto “Jovens Facilitadores” financiado pela Petrobrás (que, em 2015, objetivou capacitar profissionalmente coletivos de jovens da região do Jardim Ângela e Capão Redondo para atuarem como facilitadores de práticas restaurativas em conflitos juvenis, compondo núcleos comunitários no território em que atuam), por fim,  o projeto “Núcleo Comunitário de Justiça Restaurativa: reconectando relações e instaurando direitos em um contexto de desigualdade social” (2018-2019), com atuação em escolas, núcleos de prevenção de violência em equipamentos da Saúde e movimentos sociais populares.  


Em 2018 o CDHEP realizou em sua sede o “Fórum de Justiça Restaurativa Comunitária no Brasil: desigualdades e identidades sociais - para instaurar direitos e restaurar o justo”. Participaram do encontro, organizado ao longo de três dias, 115 pessoas representando 8 estados do Brasil. Talvez o aprendizado com maior impacto para a proposta aqui apresentada seja o reconhecimento da diversidade de sujeitos, contextos e instituições dentre os participantes e locais onde as práticas restaurativas têm acontecido no Brasil. Esse aprendizado, que certamente impacta a proposta aqui apresentada, é também fruto das inúmeras viagens e práticas de formação e facilitação em Justiça Restaurativa assessoradas pelo CDHEP nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.


Nesse sentido, o CDHEP tem dado uma importante contribuição para o desenvolvimento de uma Justiça Restaurativa Comunitária e territorializada, na qual o central é a instauração de direitos, focando em situações coletivas injustas que causam violência. Por essa concepção, busca-se fortalecer o envolvimento da comunidade para considerar danos, instaurar responsabilidades, e restaurar relações em nível interpessoal, institucional e social com o propósito de diminuir as injustiças estruturais. A partir de uma perspectiva comunitária e apoiada na educação e mobilização populares, trabalha-se para transformar as desigualdades e a violência de classe, gênero e raça, visto que o “justo” só pode se afirmar na medida em que contribuir para a diminuição das violências estruturais e culturais, e para o fortalecimento das identidades sociais dos que estão à margem. Assim, a Justiça Restaurativa Comunitária se propõe a questionar e desconstruir discursos hegemônicos, para lidar de forma transformadora com a ausência de Direitos Sociais e a violência do Estado. 


Em 2020 o CDHEP foi selecionado por um edital para atuar ao longo de 2020 como executor da Rede Justiça Restaurativa, braço do projeto Fazendo Justiça realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Neste projeto, o CDHEP trabalhou para a estruturação e/ou fortalecimento de Núcleos de Justiça Restaurativa em 10 tribunais do país (Tribunais de Justiça de Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Rondônia e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Mato Grosso do Sul e São Paulo).


A partir de 2022 passamos a construir um conjunto de projeto de JR de âmbito comunitário ampliando o conceito da JR e incorporando novos fazeres como hortas, teatro do oprimido, danças. O projeto “Justiça Restaurativa e cidadania em territórios vulneráveis: construindo ambientes democráticos e seguros”, em parceria com a Secretaria estadual de Justiça e Cidadania SP, teve por objetivo implementar práticas de justiça restaurativa em dois territórios localizados na periferia sul da cidade de São Paulo contribuindo com a construção de relações mais democráticas e menos violentas. 
Ainda sobre a luta por direito, para exigir da Prefeitura de São Paulo os investimentos que garantiam o direito à educação e à cultura na periferia sul, o CDHEP, junto com outras entidades da sociedade civil, fez duas Ações Civis Pública. A primeira, feita em 2000, exigia a construção de um equipamento e políticas de educação e cultura no Capão Redondo, distrito do Parque Independência, com altos índices de violência. Como resultado da condenação da Prefeitura em primeira instância, proferida pelo Judiciário em 2005, foi desapropriada uma área para construção do Ceu Feitiço da Vila, inaugurado em junho de 2008.A segunda Ação Civil Pública, feita em 2008, exigia o Direito à Educação Infantil em Creche e Pré-Escola em todas as Escolas Municipais do Município de São Paulo, tendo em vista que uma grande parcela das crianças pobres desta faixa etária, principalmente nas periferias mais pobres, tinha negado este direito previsto na legislação. A Prefeitura foi condenada em 2013, a criar 150 mil novas vagas para educação infantil em creche e pré-escola e ainda garantir a qualidade da educação segundo parâmetros já estabelecidos.


Em 2011, em parceria com a Secretaria de Política para as Mulheres do Governo Federal, executou o projeto Construindo Uma Nova Narrativa com jovens mães moradoras do Capão Redondo, que tinha como missão empoderar jovens mães com idade entre 14 e 24 anos para construírem projetos de vidas e difundir ações de garantia dos direitos sexuais e reprodutivos no território em que vivem.


Em 2014 e 2015, foi constituída uma parceria entre o CDHEP e a Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, para o atendimento de vítimas de violência, no CRAVI – Centro de Referência de Atendimento a Vítimas, a partir do olhar e da metodologia da Justiça Restaurativa.


Em 2017 realizamos o projeto Núcleo Juvenil de Pesquisa Comunitária: projeto experimental de integração entre universidade e comunidade, com o objetivo de contribuir para a implementação de um projeto piloto de pesquisa comunitária e desenvolvimento local em parceria com universidades e com isso promover o território como espaço de integração e protagonismo juvenil. O projeto, em parceria com universidades, formou jovens pesquisadoras da região em métodos e técnicas qualitativos e quantitativos de pesquisa social e incentivou-as à participação em instâncias decisórias de poder local e regional.

 
Em 2018 iniciamos o Observatório dos Direitos Humanos – Salve Sul, uma plataforma colaborativa, em parceria com o CEHAL (Centro de Estudos de História da América Latina) da PUC-SP, que busca monitorar violações de direitos cometidas por agentes do Estado por meio do registro de notificações feitas com o apoio de uma rede de parceiros da zona sul de São Paulo. Realizamos plantões jurídicos e apoio psicológico aos moradores e moradoras da nossa periferia que sofreram abusos do Estado, principalmente abuso policial. Em 2021 o Salve Sul se desdobrou no projeto Construindo Uma Rede Comunitária De Proteção E Solidariedade aos Abusos do Estado Brasileiro em Territórios Periféricos e Urbanos, apoiado pela Misereor.


Desde 2018 o plantão jurídico popular segue como um importante serviço gratuito prestado ao território no âmbito do acesso à justiça. Atuamos com um modelo interdisciplinar com uma advogada, um psicólogo e uma articuladora territorial. Em 2023 realizamos 207 atendimentos e em 2024 foram 214 atendimentos. 


Em 2018 o CDHEP se filiou ao Conselho Latino-americano e Caribenho de Educação Popular (CEAAL), uma importante rede de entidades e movimentos populares constituída nos anos 1970 e que teve o Paulo Freire como seu presidente. Entre 2020 e 2024 o CDHEP compôs a coordenação do coletivo CEAAL Brasil e, desde 2025, integra a equipe de coordenação estratégica latino-americana (ECE) representando o Brasil.


Ainda no Campo da Educação Popular, a Campanha Latino-Americana e Caribenha em Defesa do Legado de Paulo Freire foi lançada em julho de 2019, como forma de se contrapor à ofensiva ideológica contra o pensamento crítico de Paulo Freire e defender seu legado diante do atual contexto, marcado pelo aprofundamento das desigualdades sociais e dos processos históricos de opressão. A Campanha foi organizada pelo Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL) em aliança com movimentos sociais, coletivos e instituições, que em diálogo articulam diversas ações espalhadas por todo o continente. Em 2020, o CDHEP passou a sediar a Secretaria Operativa da Campanha, que tem entre suas atribuições organizar a comunicação e memória dos processos empreendidos, apoiando os movimentos sociais, coletivos e instituições participantes.


Em novembro de 2019, como parte da Campanha, realizamos o Encontro Paulo Freire Vive! Círculos de Experiência Periféricas, em parceria com o CEAAL, Macambira Sociocultural, A Banca e Ubuntu Educação Popular. O evento reuniu educadores, membros de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, estudantes, coletivos, instituições e grupos que trabalham com práticas populares na zona sul de São Paulo em prol de uma articulação de resistência e afirmação da nossa identidade de educadoras e educadores populares.


Ainda em 2019 o CDHEP inaugurou o Casa Lab - Laboratório de Fazeres Criativos da Mulher Periférica. Esse projeto contou com o apoio da Congregação Irmãs da Santa Cruz e reuniu cerca de 20 mulheres moradoras do Jardim Ângela, Capão Redondo e Campo Limpo para reformar uma antiga edícula na sede do CDHEP e transformá-la em uma oficina de criatividade comunitária. Ao longo dos encontros, além de se apropriarem de técnicas de marcenaria, construção e artes, as mulheres trocaram experiências e, a partir do diálogo e reflexão coletiva, se fortaleceram para enfrentar as opressões a que estavam submetidas.


Em 2020 iniciamos o projeto “Educa Lab: Laboratório De Educomunicação e Outros Fazeres”, que tem como propósito contribuir para o empoderamento de jovens mulheres, articulando ação e reflexão numa perspectiva dialógica e de problematização das  desigualdades de gênero. Na primeira fase, o projeto atendeu 30 jovens mulheres entre 16 e 24 anos, moradoras dos distritos do Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim São Luís e Jardim Ângela.  
Entre 2020 e 2021 executamos outro projeto específico para mulheres “Estamos juntas – fortalecendo mulheres periféricas em situação de vulnerabilidade através de núcleos locais de educação em Direitos Humanos e ações comunitárias” com o Ministério da Mulher, da Família e do Direitos Humanos.


Entre 2019 e 2022 executamos o projeto “Elas com Elas” que teve por objetivo contribuir para o empoderamento de jovens mulheres, articulando ação e reflexão numa perspectiva dialógica tendo a educomunicação como bases pedagógicas para problematizar discussões em torno da desigualdade de gênero. Também objetivou proporcionar e apoiar as jovens na produção de contra-narrativas ao machismo estrutural e em sua difusão por meio de materiais educomunicativos e linguagens diversas, promovendo espaços de conscientização e maior conhecimento acerca dos Direitos Humanos, como forma de combater a constante violação desses direitos na atualidade.


Em 2020, em parceria o Movimento de Defesa dos/as Favelados e Faveladas, e financiado pelo Ministério do Direitos Humanos, executamos o projeto “Estamos juntas – fortalecendo mulheres periféricas em situação de vulnerabilidade através de núcleos locais de educação em direitos humanos e ações comunitárias”.


Entre 2020 e 2023 também executamos o projeto “Construindo uma rede comunitária de proteção e solidariedade aos abusos do Estado brasileiro em territórios periféricos e urbanos! em parceria com Misereor. Este projeto atendeu mulheres, sobretudo chefas de famílias e mães que tiveram os seus filhos assassinados pelo Estado brasileiro. Em continuidade com essa frente de atuação, netre 2022 e 2023 executamos o projeto “Mulheres que acessam à justiça” com a promoção de um Plantão Jurídico Popular e apoio psicológico para mulheres do território em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e com a secretaria estadual de Justiça e Cidadania.


Desde março de 2020, início da pandemia do COVID 19, começamos a distribuir cestas básicas, contudo, com a permanência da pandemia e o aumento do desemprego, as cestas começaram a diminuir. Passamos, então, a enfrentar essa situação a partir de um olhar mais estrutural e articulado e ampliamos a nossa atuação da Educação Popular para as áreas de saúde e segurança alimentar. Implementamos o Centro de referência local em Segurança Alimentar e Nutricional com uma horta e cozinha escolas, oferecendo cursos de formação como ervas medicinais, Gine-Ecologia natural, aproveitamento integral de alimentos, PANCs; dentre outros; além da promoção de uma prática de abastecimento popular de alimentos.

 
Em parceria com o Ministério das Mulheres, também implementamos o projeto A Casa é nossa: centro popular de cuidado integral da mulher periférica com ênfase no ciclo gravídico-puerperal, atuando no campo da educação popular em saúde da mulher e pessoas com útero atendidas pelo SUS.

 
Ainda no campo da Educação Popular em Saúde e sua interface com a Justiça Restaurativa, em junho de 2024 iniciamos a formação em Fundamentos da Justiça restaurativa para 60 trabalhadores/as (multiprofissionais) de nosso território em parceria com as OS (organização social). Entre 2024 e 2025 formamos mais de 300 trabalhadoras/es do SUS, sobretudo dos Núcleo de Prevenção à violência da periferia sul da cidade de São Paulo  
Em 2025, em parceria com o Ministério da Saúde e FIOCRUZ, formamos uma turma do programa de Agentes Populares de Saúde (AGpopoSUS) no nosso território.

 
Também em 2025 iniciamos o projeto “Centro de referência local em segurança alimentar e nutricional e práticas periféricas e feministas de auto-organização, promoção da economia local e da dignidade menstrual na periferia sul da cidade de São Paulo”. Este projeto é uma parceria com a Secretaria Nacional de Economia Solidária, Ministério do Trabalho e tem por objetivo contribuir a superação da insegurança alimentar e nutricional aliado às práticas populares e feministas de autonomia econômica, geração de renda e auto-organização no campo da sustentabilidade e da saúde feminina com participação popular de mulheres moradoras da periferia sul da cidade de São Paulo. Construímos um espaço de coletivo de trabalho com mulheres do território equipado com máquinas de costura para produzir absorventes e calcinhas menstruais que serão comercializados nessa mesma periferia contribuindo com a superação da pobreza menstrual e o aumento da dignidade menstrual nesse território.  


Paralelo a esse projeto, estamos apoiados pela DKA para formar jovens do território como agentes de dignidade menstrual. A primeira turma acontece em 2025 em parceria com um Centro de Juventude do território.  
Por fim,  o CDHEP segue fortalecendo os Fóruns da região como importantes espaços de representação e articulação política. Nesse sentido, em 2024 executamos o projeto “Fortalecendo o direito à participação popular da pessoa idosa moradora da periferia Sul da cidade de São Paulo, distritos do Capão Redondo e Campo Limpo” em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos. O Fórum segue se encontrando na sede do CDHEP e seguimos apoiando esta espaço com ações de comunicação e visibilidade. Entre 2024 e 2005 também fortalecemos o Fórum da Mulher através do projeto “Fórum em defesa das mulheres da periferia sul da cidade de São Paulo: educação permanente para a garantia dos direitos, para a igualdade de decisões e poder e para construção de um feminismo negro e comunitário nas entidades populares e nas políticas púbicas territorializadas”. Este projeto concorreu e foi selecionado em um edital aberto pelo Ministério das Mulheres do governo Lula. Além do apoio a 2 Caminhadas pela Vida das Mulheres que aconteceu no dia 8 de março de 2025, realizamos dois importantes cursos de formação – uma para mulheres lideranças do território e o segundo para trabalhadoras das políticas públicas da Zona Sul. Respectivamente Curso feminismo negro, diverso e comunitário e o segundo - Gênero e sua interseccionalidades nas políticas públicas territorializadas.  


Ao longo dos últimos quarenta anos muitas vidas e lutas foram tecidas em torno do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo. Acompanhamos os últimos acontecimentos históricos do Brasil resistindo, construindo e dialogando. As pautas foram se transformando, se ampliando, se aprofundando e se complexificando, mas o nosso horizonte utópico por um país e um continente mais justo, livre, diverso, plural, feminista e negro segue firme. E esse caminho é de muita esperança, muita solidariedade e muito compromisso com a vida. Como disse o profeta Dom Helder – “não deixamos a profecia cair”.

 

Vida longa ao CDHEP! 

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O Centro de Direitos Humanos e Educação Popular

de Campo Limpo (CDHEP) é uma organização popular que tem como objetivo promover estratégias de formação, articulação, comunicação e incidência política para prevenir e superar as diversas formas de violência, sobretudo nas periferias, e contribuir com a construção de um projeto popular, anticapitalista, antirracista e antipatriarcal para o Brasil e para a América Latina.

CDHEP

R. Luís da Fonseca Galvão, 180 - Parque Maria Helena,

São Paulo - SP, 05855-300

(11) 5512-1441

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